Fed sobe, Copom corta: o raro descompasso de juros entre Brasil e Estados Unidos

Fed sobe, Copom corta: o raro descompasso de juros entre Brasil e Estados Unidos

No mesmo dia, os bancos centrais dos dois países moveram os juros em direções opostas. Entenda o que decidiu cada lado e o que isso muda para quem movimenta dinheiro entre os dois mercados.

EA Financial Advisory

Miami – FL

Estratégia, finanças e governança.

27 Sep, 2026 Tempo de leitura: 4 min

No mesmo dia, 16 de setembro de 2026, o Banco Central do Brasil cortou a Selic de 14% para 13,75% ao ano, enquanto o Federal Reserve elevou os juros americanos da faixa de 3,50% a 3,75% para a faixa de 3,75% a 4,00%. Bancos centrais dos dois países remando em direções opostas, na mesma semana, não é algo comum, e tem efeito direto sobre quem movimenta dinheiro entre os dois países.

O que decidiu cada lado

No Brasil, a decisão do Copom foi unânime e já era esperada por 75 das 78 casas consultadas pelo mercado. Foi a 281ª reunião do comitê, e a mediana das projeções do boletim Focus indica Selic em 13,75% ao final de 2026, com espaço para novos cortes graduais em 2027 e 2028 caso a inflação continue se comportando. As próximas reuniões do Copom estão marcadas para 3 e 4 de novembro e para 8 e 9 de dezembro.

Nos Estados Unidos, o Fed elevou a faixa de juros para 3,75% a 4,00% ao ano, decisão unânime sob o comando do novo presidente do banco central americano, Kevin Warsh, e sinalizou a possibilidade de mais um aumento ainda em 2026, diante de uma inflação que segue resistente e um mercado de trabalho ainda considerado sólido.

O que esse descompasso muda na prática

O diferencial de juros entre os dois países ainda é grande (a Selic segue bem acima dos juros americanos), mas a direção mudou: no Brasil, o ciclo é de corte gradual; nos Estados Unidos, o ciclo voltou a ser de alta. Isso tende a manter o real sob pressão no curto prazo, porque juros americanos mais altos aumentam a atratividade relativa de ativos em dólar e podem reduzir o apetite por carregar posições em reais.

Para empresas com receita em uma moeda e despesa em outra, o momento pede reavaliar o custo de operações de hedge cambial, já que o diferencial de juros é um dos principais componentes do preço de contratos futuros de câmbio. Para quem decide entre captar recursos no Brasil ou nos Estados Unidos, vale comparar o custo total de cada opção considerando não só a taxa nominal, mas a expectativa de câmbio para o prazo do financiamento.

Por fim, vale acompanhar a ata do Copom, divulgada poucos dias depois de cada decisão, e os comunicados do FOMC, que costumam trazer pistas mais claras sobre a duração desses movimentos do que a decisão em si.

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