Desde janeiro de 2026, o Brasil vive a fase de testes da reforma tributária, com a cobrança real (ainda que compensada) dos novos tributos que vão substituir ICMS, ISS, IPI, PIS e COFINS. Passados seis meses, vale fazer um balanço do que já mudou nas empresas e do que ainda precisa ser ajustado antes da implementação cheia, em 2027.
O que é a fase de testes e o que já mudou na prática
A reforma substitui cinco tributos, ICMS, ISS, IPI, PIS e COFINS, por dois novos: a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), de competência federal, e o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), de competência estadual e municipal, dentro de um modelo de IVA dual com compensação de créditos ao longo da cadeia produtiva. Em 2026, a alíquota combinada de teste soma apenas 1%: 0,9% de CBS e 0,1% de IBS.
O ponto importante é que esse valor é pago de verdade, mas compensado contra os recolhimentos de PIS e COFINS que a empresa já fazia, de forma que o desembolso total no ano não aumenta. Ainda assim, a Receita Federal tem sido clara: 2026 é um ensaio operacional real, com movimentação financeira de verdade, não uma simulação. Na prática, isso já obrigou empresas a atualizar sistemas contábeis e de emissão de notas fiscais para lidar com os novos campos tributários, destacar CBS e IBS nos documentos fiscais com a classificação correta, e revisar códigos NCM e situações tributárias para evitar rejeição de notas.
O que ainda falta ajustar antes de 2027
A partir de 2027, entra em cena o split payment, mecanismo que separa automaticamente, no momento do pagamento, a parcela do tributável devida ao governo, direto na transação financeira. Isso muda a dinâmica de fluxo de caixa das empresas: hoje, o tributo é apurado e recolhido depois, com alguma folga de caixa entre a venda e o pagamento do imposto; com o split payment, essa folga desaparece, porque o valor é retido automaticamente.
Quem trata 2026 como um ano de espera corre o risco de levar um susto operacional em 2027. Especialistas do setor contábil têm repetido que o contador deixa de ser apenas um gerador de guias fiscais e passa a atuar como consultor estratégico, ajudando a antecipar o impacto no capital de giro. Para empresas que operam entre Brasil e Estados Unidos, o ajuste mais urgente é revisar contratos com fornecedores e clientes que ainda não preveem cláusulas de repasse ou ajuste tributário, e simular o efeito do split payment sobre o caixa antes que ele se torne obrigatório.
Fontes
EA Financial Advisory
Miami – FL
Estratégia, finanças e governança.

